Número de empresas com dívidas em atraso atingiu novo pico em julho; micro e pequenas empresas concentram 8,7 milhões dos CNPJs negativados
O número de empresas brasileiras inadimplentes chegou a 9,2 milhões em julho de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. O resultado representa um novo pico da série histórica e mostra a pressão que as empresas continuam enfrentando para manter as contas em dia.
Ao todo, os negócios inadimplentes acumulavam 67,2 milhões de dívidas, que somavam R$ 238,6 bilhões. Em média, cada empresa negativada tinha 7,3 contas em atraso, com uma dívida média de R$ 25.983,88 por CNPJ.
Pequenos negócios concentram a maior parte da inadimplência
O cenário chama ainda mais atenção quando são observadas as micro e pequenas empresas.
Dos 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes em julho, 8,7 milhões eram micro e pequenas empresas. Isso significa que esse grupo representa a grande maioria dos negócios com dívidas em atraso no país.
Para empresas menores, uma sequência de atrasos pode ter impacto significativo sobre o funcionamento do negócio. Quando o caixa fica comprometido, o empreendedor pode encontrar dificuldades para pagar fornecedores, impostos, contas operacionais e outras obrigações.
O problema não está apenas nos bancos
Outro ponto importante do levantamento é a origem das dívidas.
Segundo a Serasa Experian, 75,7% das pendências estavam fora das instituições financeiras. Bancos e cartões, juntamente com financeiras, respondiam por 24,3% das pendências.
Isso mostra que a dificuldade financeira das empresas não se limita aos empréstimos bancários. As dívidas também estão relacionadas à própria operação, incluindo compromissos com fornecedores, serviços essenciais e outras despesas empresariais.
Na prática, quando o dinheiro que entra no caixa não é suficiente para cobrir todas as despesas, o atraso pode começar em uma conta e se espalhar para outras.
Crédito continua sendo procurado pelas empresas
O cenário de inadimplência acontece ao mesmo tempo em que as empresas continuam buscando crédito.
Dados da Serasa Experian mostram que a procura por crédito empresarial cresceu 9,2% nos 12 meses até junho de 2026. Entre as micro e pequenas empresas, a alta também foi de 9,2%.
Essa combinação cria um desafio para o empreendedor: a necessidade de dinheiro continua, mas uma empresa já endividada precisa ter cuidado para não transformar crédito em uma solução temporária para um problema permanente de caixa.
O que o empreendedor pode aprender com esses números?
A inadimplência não acontece necessariamente porque uma empresa deixou de vender. Muitas vezes, o problema está no desequilíbrio entre faturamento, custos, prazos de recebimento e compromissos financeiros.
Por isso, alguns sinais merecem atenção:
o caixa termina o mês constantemente no negativo;
a empresa precisa de empréstimos para pagar despesas recorrentes;
fornecedores começam a ser pagos com atraso;
impostos estão sendo acumulados;
cartões e limites bancários são utilizados para cobrir despesas operacionais;
o empresário mistura dinheiro pessoal com o dinheiro da empresa;
o faturamento cresce, mas o dinheiro disponível no caixa não acompanha.
Quando esses sinais aparecem, simplesmente buscar mais crédito pode não resolver o problema.
A importância de organizar o caixa
Para o pequeno negócio, o primeiro passo é entender exatamente quanto entra, quanto sai e quando cada pagamento acontece.
Um controle financeiro simples pode ajudar o empreendedor a identificar quais despesas estão pressionando o caixa e quais dívidas precisam ser priorizadas.
Também é importante negociar com fornecedores e credores antes que os atrasos se acumulem. Dependendo da situação, uma renegociação pode permitir que a empresa reorganize os pagamentos e preserve parte do capital de giro.
Inadimplência é um sinal de alerta
Os 9,2 milhões de empresas inadimplentes mostram que a dificuldade financeira empresarial continua sendo um problema relevante no Brasil. E, entre os pequenos negócios, o impacto é ainda maior: 8,7 milhões de micro e pequenas empresas estavam negativadas em julho.
Para o empreendedor, o principal alerta não é apenas sobre a existência da dívida, mas sobre o que ela revela a respeito da saúde financeira do negócio.
Antes de buscar mais crédito, é preciso entender por que o dinheiro está faltando.
Se o problema estiver no fluxo de caixa, nas margens, nos prazos de recebimento ou na estrutura de custos, identificar a causa pode ser o primeiro passo para evitar que uma dívida seja apenas substituída por outra.
Fonte: Serasa Experian, Indicador de Inadimplência das Empresas — julho de 2026.