Selic começa a cair, mas crédito continua caro para as empresas

 

Mesmo com o início do ciclo de redução dos juros, empreendedores ainda enfrentam um cenário de crédito restritivo e custos financeiros elevados

A queda dos juros começou, mas o dinheiro ainda está longe de ficar barato para as empresas brasileiras.

Em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic para 14% ao ano, dando continuidade ao movimento de cortes iniciado anteriormente. Para a Serasa Experian, porém, o cenário ainda exige cautela: a projeção para a taxa básica de juros ao final de 2026 é de 13,75%, enquanto o crédito deve permanecer caro para consumidores e empresas por algum tempo.

Na prática, isso significa que uma redução na Selic não necessariamente aparece de forma imediata no custo de um empréstimo empresarial.

Selic caiu. Mas o empréstimo ficou mais barato?

Essa é uma dúvida importante para quem administra uma pequena empresa.

A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve como referência para outras taxas. Mas o custo final de um empréstimo depende também de outros fatores, como o tipo de crédito contratado, o prazo, o risco da operação e as condições oferecidas pela instituição financeira.

Por isso, uma queda de 0,25 ponto percentual na Selic não significa uma redução equivalente na taxa cobrada de cada empresa.

Para o empreendedor que precisa de dinheiro para reforçar o caixa, comprar equipamentos ou financiar a operação, é necessário olhar para o custo efetivo da operação, e não apenas para a taxa básica de juros.

Empresas continuam procurando crédito

Mesmo com o ambiente de juros elevados, a demanda por crédito empresarial continua forte.

Segundo a Serasa Experian, a procura das empresas por crédito cresceu 9,2% nos 12 meses encerrados em junho de 2026. Entre micro e pequenas empresas, a alta também foi de 9,2%.

O movimento mostra que existe uma necessidade relevante de recursos financeiros por parte dos negócios.

O problema é que, quando o crédito é contratado a um custo elevado, as parcelas podem pressionar ainda mais o fluxo de caixa da empresa.

O desafio é maior para os pequenos negócios

Os pequenos negócios estão especialmente expostos a esse cenário porque, em muitos casos, possuem menor capacidade de absorver aumentos de custos financeiros.

O impacto pode ser ainda maior quando o empréstimo é utilizado para cobrir despesas recorrentes, como salários, fornecedores, aluguel ou impostos.

Nesse caso, o crédito pode resolver uma necessidade imediata de caixa, mas não necessariamente solucionar a origem do problema.

Os dados recentes da Serasa ajudam a dimensionar esse desafio. Em julho, 9,2 milhões de empresas estavam inadimplentes no Brasil, acumulando R$ 238,6 bilhões em dívidas. Desse total, 8,7 milhões eram micro e pequenas empresas.

Crédito pode ser ferramenta ou problema

O crédito não é necessariamente ruim para uma empresa. Quando utilizado de forma planejada, pode financiar investimentos, antecipar projetos, ampliar a capacidade de produção ou ajudar a empresa a atravessar uma necessidade temporária de caixa.

A questão está no custo e na finalidade do dinheiro.

Antes de contratar uma operação, o empreendedor deve responder algumas perguntas:

  • Quanto será pago ao final do contrato?

  • Qual será o impacto da parcela no fluxo de caixa?

  • O dinheiro será usado para gerar receita ou apenas para cobrir despesas?

  • Existe outra alternativa de financiamento?

  • A empresa conseguirá pagar as parcelas mesmo se o faturamento cair?

  • É possível negociar condições melhores com a instituição financeira?

Essas perguntas podem evitar que uma decisão de curto prazo gere um problema financeiro de longo prazo.

O que muda para o empreendedor?

A redução da Selic é um sinal de mudança no ambiente de juros, mas o efeito sobre o crédito empresarial não acontece de maneira automática nem imediata.

A própria Serasa Experian avalia que, apesar do início da queda dos juros, o crédito deve continuar caro por algum tempo.

Por isso, para o pequeno empresário, o momento exige atenção redobrada ao endividamento.

Se a empresa precisa de crédito, comparar taxas e condições pode fazer uma diferença significativa no custo final. Se não precisa, assumir uma dívida apenas porque os juros começaram a cair pode não ser uma decisão adequada para o caixa.

A pergunta que o empreendedor precisa fazer

A Selic começou a cair, mas isso não significa que todo crédito ficou barato.

Antes de contratar um empréstimo, olhe para a taxa, o prazo, o valor total a pagar e, principalmente, para a capacidade da empresa de assumir aquela dívida.

A queda dos juros pode abrir espaço para condições financeiras menos restritivas ao longo do tempo, mas o empreendedor ainda precisa administrar o crédito com cautela enquanto o custo do dinheiro permanecer elevado.

Fontes: Banco Central do Brasil e Serasa Experian.

Postagem Anterior Próxima Postagem